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Ozônio Troposférico

Bioindicador vegetal para ozônio troposférico

O ozônio embora benéfico na estratosfera, onde forma uma camada protetora contra efeitos danosos da radiação ultravioleta, tem efeitos tóxicos nas camadas mais baixas da atmosfera, por afetar diretamente os seres vivos. O ozônio tem alto poder oxidativo e, por isso, é muito tóxico às plantas, podendo causar danos consideráveis às espécies vegetais nativas e culturas agrícolas. Este poluente atmosférico é formado por reações químicas na atmosfera, a partir de precursores como os hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio emitidos por processos de combustão, principalmente industriais ou veiculares.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA,2006) estimou perdas agrícolas anuais da ordem de 500 milhões de dólares causadas pelo ozônio, sem incluir os danos à folhagens de árvores e outras plantas, que afetam a paisagem das cidades, áreas de recreação, parques urbanos e áreas de vegetação natural. No Brasil ainda não existem estudos que dimensionem perdas agrícolas.

Na Europa, a partir de experimentos com vegetação, estabeleceram o valor de 40ppb (78,4 µg/m3/h) como crítico para vegetação, acima do qual pode ocorrer efeitos a receptores sensíveis, tais como plantas e ecossistema. A partir dessa concentração foi aplicado um índice referente à exposição acumulada acima de 40ppb (AOT40). Tal índice é a soma de todas as concentrações horárias a partir de ser ultrapassado 80 µg/m3/h.

CETESB (2006) adota como valores de referência as concentrações preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 2000), que indica a AOT40 de 3.000ppb de ozônio (ou aproximadamente 6.000µg/m³), acumulados durante o período de 3 meses, como Valor de Referência para Proteção da Produtividade Agrícola (VRPP) e 200ppb (ou aproximadamente 400 µg/m³), acumulados durante o período de 5 dias, como Valor de Referência para o Aparecimento de Injúrias visíveis em plantas sensíveis.

A variedade de tabaco conhecida cientificamente como Nicotiana tabacum Bel W3 vem sendo utilizada há décadas na Europa e Estados Unidos como um bioindicador específico de poluentes foto-oxidantes, principalmente o ozônio troposférico.

A metodologia utilizada tem como base a exposição de 6 indivíduos Nicotiana tabacum Bel W3, por 21 a 28 dias, em locais selecionados que abranjam a área territorial do município. A avaliação do efeito do ozônio nos indivíduos de tabaco expostos em cada ponto de amostragem, é feita por meio de uma estimativa da porcentagem da área foliar com injúrias visíveis. Constata-se a ocorrência de altas concentrações de ozônio atmosférico em várias regiões do Estado, destacando-se a Região Metropolitana de São Paulo, Cubatão e Sorocaba.

Esta é uma metodologia similar aos bioindicadores vegetais para fluoretos gasosos.

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